CAPACIDADE DE SE AUTO-SUSTENTAR
A paz interior é um estado de equilíbrio que surge quando nossas
forças ativadoras e nossa capacidade de relaxar estão em harmonia.
Isto é, quando estamos sintonizados tanto com a nossa força de
combate, como com a nossa capacidade de entrega.
Mas, em geral, permanecemos alertas até mesmo quando já podemos
relaxar. É como se, ao afrouxarmos o controle sobre nós mesmos, alguma
coisa ruim pudesse ocorrer.
Intuitivamente, buscamos sempre saídas que nos levam a uma qualidade
de vida melhor. Isto é, com menos pressão e mais abertura, pois
sabemos que ficar presos por nossa própria atitude interior é um modo
de vida limitador.
No entanto, se não estivermos familiarizados com a capacidade de nos
sustentarmos, estaremos constantemente buscando nos amparar fora de nós.
Mas, o que nos proporciona essa sensação de poder relaxar em nosso
solo interior com confiança e soltura?
A capacidade de auto-sustentação surge à medida que nos sentimos
disponíveis para nós mesmos: estamos à vontade exatamente com quem
somos.
Quando paramos de nos defender de nós mesmos, naturalmente nos
tornamos boa companhia.
Esta amizade interior não ocorre apenas no nível do pensamento, como
se pudéssemos simplesmente dar uma ordem interna: seja amigo de você
mesmo, aprenda a se bastar!.
A auto-sustentação não surge porque nos demos uma ordem, mas sim
porque nos abrimos para nós nos recebermos tal qual como somos.
Auto-sustentação não quer dizer estar desconectado de qualquer fonte
de nutrição e contar apenas com seus recursos.
È exatamente ao contrário!
Ela surge quando superamos o condicionamento de que somos seres
solitários. Em outras palavras, auto-sustentar-se não quer dizer ser
só eu, por mim mesmo, mas sim, em ser si mesmo no todo.
Este é um processo profundo, que requer um treinamento mental capaz de
nos ajudar a desconstruir nossos hábitos mentais negativos.
No budismo, esse treinamento ocorre por meio dos ensinamentos (do
Dharma) e da meditação: ambos nos ajudam a abandonar uma falsa visão
sobre nós mesmos e a nos familiarizarmos com nossa natureza inata de
uma mente saudável.
Independente do método que você possa encontrar, o que eu quero é
alertar para a nossa necessidade de nos oferecer um modo de vida mais
próspero e abundante.
Observo que muitas vezes já não lançamos mão de recursos externos
porque estamos exageradamente presos à idéia de nos tornarmos
emocionalmente autônomos. Não queremos ajuda!
Por isso, gostaria de ressaltar a diferença entre nos ampararmos nos
outros e nos deixarmos ser por eles nutridos e inspirados.
Por exemplo, quando usamos uma bengala. Ela nos serve de apoio ou de
estímulo? A força está na bengala em que nos apoiamos ou na nossa
capacidade de usá-la?
Quando nos amparamos na força alheia, temos a intenção de que o outro
faça esforço por nós, mas quando vemos os outros como fonte de
nutrição e estímulo, temos plena consciência de que o esforço é nosso.
Por isso, apesar de ninguém poder de fato nos poupar da parte que nos
toca, podemos receber toda a ajuda necessária sempre que ela estiver
disponível!
Pequenas atitudes que estimulem positivamente nossos cinco sentidos
também são sempre bem-vindas: boa música, um aroma agradável no ar,
algo de saboroso para comer, um banho quente ou um creme para nos
massagear e contemplar imagens que nos dão prazer pode ser de grande
valia. Quando estamos desanimados ou tristes, nosso corpo precisa ser
bem tratado, pois, afinal de contas, é ele que nos dá a base para
nossa mente relaxar!









