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"A paz interna é a base mais sólida para a paz mundial" T.Y.S. Lama Gangchen

CAPACIDADE DE SE AUTO-SUSTENTAR


A paz interior é um estado de equilíbrio que surge quando nossas 
forças ativadoras e nossa capacidade de relaxar estão em harmonia. 
Isto é, quando estamos sintonizados tanto com a nossa força de 
combate, como com a nossa capacidade de entrega.
Mas, em geral, permanecemos alertas até mesmo quando já podemos 
relaxar. É como se, ao afrouxarmos o controle sobre nós mesmos, alguma 
coisa ruim pudesse ocorrer.

Intuitivamente, buscamos sempre saídas que nos levam a uma qualidade 
de vida melhor. Isto é, com menos pressão e mais abertura, pois 
sabemos que ficar presos por nossa própria atitude interior é um modo 
de vida limitador.
No entanto, se não estivermos familiarizados com a capacidade de nos 
sustentarmos, estaremos constantemente buscando nos amparar fora de nós.

Mas, o que nos proporciona essa sensação de poder relaxar em nosso 
solo interior com confiança e soltura?
A capacidade de auto-sustentação surge à medida que nos sentimos 
disponíveis para nós mesmos: estamos à vontade exatamente com quem 
somos.

Quando paramos de nos defender de nós mesmos, naturalmente nos 
tornamos boa companhia.
Esta amizade interior não ocorre apenas no nível do pensamento, como 
se pudéssemos simplesmente dar uma ordem interna: seja amigo de você 
mesmo, aprenda a se bastar!.

A auto-sustentação não surge porque nos demos uma ordem, mas sim 
porque nos abrimos para nós nos recebermos tal qual como somos.
Auto-sustentação não quer dizer estar desconectado de qualquer fonte 
de nutrição e contar apenas com seus recursos.
È exatamente ao contrário!

Ela surge quando superamos o condicionamento de que somos seres 
solitários. Em outras palavras, auto-sustentar-se não quer dizer ser 
só eu, por mim mesmo, mas sim, em ser si mesmo no todo.
Este é um processo profundo, que requer um treinamento mental capaz de 
nos ajudar a desconstruir nossos hábitos mentais negativos.

No budismo, esse treinamento ocorre por meio dos ensinamentos (do 
Dharma) e da meditação: ambos nos ajudam a abandonar uma falsa visão 
sobre nós mesmos e a nos familiarizarmos com nossa natureza inata de 
uma mente saudável.

Independente do método que você possa encontrar, o que eu quero é 
alertar para a nossa necessidade de nos oferecer um modo de vida mais 
próspero e abundante.
Observo que muitas vezes já não lançamos mão de recursos externos 
porque estamos exageradamente presos à idéia de nos tornarmos 
emocionalmente autônomos. Não queremos ajuda!

Por isso, gostaria de ressaltar a diferença entre nos ampararmos nos 
outros e nos deixarmos ser por eles nutridos e inspirados.

Por exemplo, quando usamos uma bengala. Ela nos serve de apoio ou de 
estímulo? A força está na bengala em que nos apoiamos ou na nossa 
capacidade de usá-la?

Quando nos amparamos na força alheia, temos a intenção de que o outro 
faça esforço por nós, mas quando vemos os outros como fonte de 
nutrição e estímulo, temos plena consciência de que o esforço é nosso.

Por isso, apesar de ninguém poder de fato nos poupar da parte que nos 
toca, podemos receber toda a ajuda necessária sempre que ela estiver 
disponível!

Pequenas atitudes que estimulem positivamente nossos cinco sentidos 
também são sempre bem-vindas: boa música, um aroma agradável no ar, 
algo de saboroso para comer, um banho quente ou um creme para nos 
massagear e contemplar imagens que nos dão prazer pode ser de grande 
valia. Quando estamos desanimados ou tristes, nosso corpo precisa ser 
bem tratado, pois, afinal de contas, é ele que nos dá a base para 
nossa mente relaxar!

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