Um homem da Paz
por Boris Tabacof
Conheci o Lama Gangchen Rimpoche nos primeiros anos da década de
1990. Desde logo, causou-me ele forte impressão, pelas suas atitudes e
formas de expressão, que revelavam, ao mesmo tempo, uma firme
determinação de fazer acontecer o seu projeto de ação no Brasil e a
calma que revelava a sua paz interior.
Ao longo dos anos
seguintes, mesmo considerando a minha origem e vivência étnica e
religiosa diferentes da filosofia do Budismo tibetano, do qual o
Rimpoche é uma das grandes figuras contemporâneas, muito aprendi dos
seus ensinamentos que irradiam a paz espiritual de que tanto o mundo de
hoje necessita, seja no âmbito individual, seja nas relações entre os
homens, as crenças, as nações.
Foi com grande interesse e
proveito espiritual que participei de duas memoráveis peregrinações
dirigidas pelo Lama Gangchen aos Andes e a Borobodur, juntamente com a
minha esposa e uma das minhas filhas. A lição que aprendemos foi a de
que a paz interior e o equilíbrio emocional de que tanto necessitamos,
devem ser integradas com a natureza e o equilíbrio ambiental,
especialmente notáveis nesses lugares em que estivemos, em conjunto com
a Amazônia, tão vital para o mundo.
O Lama Gangchen está
promovendo no Brasil um importante movimento que se expressa por
instituições que seguem sua orientação e que tanto podem fazer pela
saúde, cultura e elevação espiritual do nosso povo. Nos ensinamentos
que se propagam dessas instituições, predomina a resposta que Buda
encontrou a 2.500 anos atrás para a pergunta que até hoje angustia a
tantos: como encontrar o alívio para o sofrimento que marca a vida
humana.
Há um crescente apoio no Brasil aos esforços realizados
pela Lama Gangchen World Peace Foundation, uma Organização
Não-Governamental filiada às Nações Unidas. Essa Fundação propõe a
instituição do Fórum Espiritual Mundial pela Paz Mundial das Nações
Unidas, ponto de encontro de líderes das diversas religiões.
As
mais importantes religiões e filosofias do mundo, mantendo intactos os
seus fundamentos básicos, estão, no entanto, inseridas no contexto
histórico em constante mutação. Nesse sentido, o Lama Gangchen, visando
aos melhores interesses da permanência do Budismo tibetano, promove o
entendimento com o governo da China, para que a prática da filosofia e
da cultura budista encontre condições de vivência no Tibete como na
própria China. Esse entendimento não só busca condições para o
exercício religioso mas também, e de forma muito importante, canalizar
os grandes recursos da China atual, em vias de se transformar numa das
principais economias mundiais, para o progresso do povo tibetano, que
por tantos séculos sofreu as agruras do subdesenvolvimento. A China,
com tantas tradições milenares, pode torna-se um modelo de sociedade
onde o econômico e o espiritual se harmonizam.
Agora, a nossa
satisfação é ainda maior, ao vermos ao lado do Lama Gangchen, a figura
do jovem brasileiro Lama Michel, em quem sentimos a segurança dessa
força espiritual que ganha raízes mais fortes no Brasil.
Essas
considerações que aqui finalizo, são movidas exclusivamente pelo meu
desejo de expressar o meu reconhecimento a essa figura de Homem da Paz
que é o Lama Gangchen Rimpoche.









