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"A paz interna é a base mais sólida para a paz mundial" T.Y.S. Lama Gangchen

Meio-Ambiente

“Temos a percepção errônea de que o meio-ambiente nos pertence, ao invés da consciência de que nós pertencemos ao mundo” Lama Michel Rinpoche

 

Somos seres interdependentes, interligados por redes e teias vivas, criando a realidade por meio de nossos estados mentais, emocionais e físicos positivos e negativos, tanto no nível pessoal como coletivo. Nossa sociedade e o meio-ambiente são o resultado dessa criação contínua, em constante transformação. Somos esse processo dinâmico.

 A causa da poluição em suas formas diferentes, dos rios, do ar, sonora e outras, é que acreditamos possuir o meio ambiente ao invés de viver como seres interdependentes com o meio ambiente.

 É preciso uma mudança de paradigma sobre como nos relacionamos com o meio-ambiente. Esse novo paradigma se estabelece em dois momentos - uma primeira etapa de conscientização, processo que se inicia no olhar sincero para si próprio e o tipo de impacto  de nossos hábitos na sociedade e no meio-ambiente, seguido por uma etapa de transformação, processo de elaborar e praticar soluções criativas para minimizar o impacto negativo, assim como gerar impacto positivo.

 A visão da cultura de paz e sustentabilidade, pela Fundação Lama Gangchen para a Cultura de Paz, abraça ambos os aspectos, a conscientização e a transformação.

Segundo os ensinamentos budistas, o mundo físico e o corpo dos seres vivos são compostos pelos 5 elementos – água, fogo, terra, vento e espaço. Com base nesta sabedoria ancestral dos 5 elementos, o núcleo de meio-ambiente da FLGCP se propõe a contribuir, por meio de conscientização e vivências práticas de transformação, para a compreensão da interdependência entre nossas atitudes pessoais e o meio-ambiente.

A paz ambiental é fruto de um comprometimento com o consumo consciente, uma atitude diária de perceber e agir para economizar energia por meio da simples observação das relações interdependentes. 

 

 

Lama Gangchen RiNpoche, um mensageiro da paz - entrevista para a Revista Bons fluídos

 

Ele tem um carinho especial pelo Brasil: aqui fundou seu primeiro centro de estudos de budismo tibetano, há treze anos. E também tem um amor especial por um tema: a paz interna. Segundo Lama Gangchen, dela depende o futuro do mundo.

O rosto redondo e sorridente, a voz rouca e o entusiasmo contagiante - Lama Gangchen Rinpoche consegue tocar fundo os corações brasileiros. Em suas visitas anuais ao Brasil, reúne com facilidade animadas platéias dispostas a cantar mantras (sons sagrados) musicados com melodias singelas e a fazer mudras (gestos sagrados), que, segundo o budismo tibetano, limpam o corpo e a mente de energias negativas. Essa prática espiritual, chamada por ele de "autocura", é baseada em antigas tradições religiosas do Tibete e trabalha com a energia sutil do corpo, da mente e também do meio ambiente.

 O carinho que este Lama tem pelo Brasil começou há muito tempo. Herdeiro de uma longa linhagem de lamas curadores e nascido no Tibete em 1941, foi em São Paulo que ele encontrou as condições necessárias para fundar seu primeiro centro de estudos no Ocidente, o Centro Dharma da Paz Shi-De Choe Tsog, inaugurado em 1988. Também na capital paulista encontrou Michel, um menino de 5 anos reconhecido como a reencarnação de antigos mestres tibetanos e que hoje, aos 20, vive num mosteiro da Índia com o nome de Lama Michel Rinpoche. A receita de Lama Gangchen para uma vida melhor é simples: "Pelo poder da verdade, paz e alegria agora e sempre".

BONS FLUIDOS - O budismo ganha cada vez mais adeptos em todo o mundo. Cantores de rock tornaram-se budistas e artistas de cinema promovem campanhas em favor dos tibetanos exilados na Índia. O que o budismo oferece de tão fascinante?

Lama Gangchen Rinpoche - O budismo traz uma alegria nascida da compreensão. O sofrimento, a tristeza e a dor acabam diminuindo porque nasce um novo entendimento da vida e do que acontece na vida. Aprendemos a nos desapegar, a nos desgrudar das nossas expectativas, porque compreendemos que o apego a elas é o que gera o sofrimento e a dor. Esse foi o grande ensinamento de Buddha Shakyamuni. Essa compreensão básica traz um imenso alívio interno. Um estado mais relaxado e tranqüilo surge dessa abertura em relação aos acontecimentos cotidianos e às pessoas.

 

BF - Será que a paz interna tornou-se uma necessidade premente nos dias de hoje?

LGR - Sim, é o nosso grande objetivo, tanto a paz interna quanto a paz externa. Mas também pode-se dizer que as pessoas continuam buscando a mesma paz e serenidade que Buddha Shakyamuni procurou em sua vida, há 2 500 anos. A paz, a calma, é uma necessidade humana básica, o nosso verdadeiro oxigênio.

 

BF - Como o senhor explicaria esse crescente interesse pelo budismo?

LGR - Muitas pessoas pensam que se interessam hoje pelo budismo porque em outras vidas já tiveram contato com esse tipo de ensinamento. Não necessariamente. O que podemos dizer é que esse despertar interno tem a ver com o Karma de cada uma delas. Karma são sementes, positivas ou negativas, que despertam em determinadas condições: é preciso haver sol, chuva, terra fértil para a semente germinar. As pessoas que hoje entram em contato com os ensinamentos de Buddha reuniram em diversas vidas condições benéficas, ou Karma positivo, para que o budismo florescesse em suas vidas. Mas isso não quer dizer, exatamente, que elas um dia tenham sido monges budistas nas montanhas nevadas do Himalaia... Também existe outra razão provável para esse aumento. Durante diversas gerações, milhões de budistas ofereceram suas orações em benefício de todos os seres viventes. Começamos a colher agora o resultado dessas práticas espirituais. A energia acumulada dessas cerimônias e preces está sendo dispersa nesse momento como se fosse uma explosão de bênçãos. Essa condição auxilia o florescimento.

 

BF - Isso quer dizer que estamos num período favorável para o crescimento espiritual?

LGR - Sim e não. De um lado, perdemos o contato com o aspecto sagrado do mundo. Destruímos florestas, poluímos mares, como se os elementos que constituem a Terra não tivessem o seu lado divino. Esquecemos que nossa alma e nosso corpo se alimentam do sagrado contido na matéria e não apenas da matéria. A destruição que fazemos é muito mais séria do que pensamos. De outro lado, estamos num período em que podemos estabelecer o contato com o sagrado sem intermediários. Anteriormente, padres, monges, sacerdotes se encarregavam dessa ligação. Agora ela pode ser mais direta - existe uma abertura espiritual para isso. Podemos ter um acesso mais rápido e simples à dimensão espiritual.

 

BF - O que está acontecendo no mundo, poluição, guerra, doenças, acontece também dentro de nós?

LGR - Sim. Não existe divisão real entre o mundo externo e o interno. A realidade que vemos fora é a continuação do que temos dentro, uma extensão da nossa mente. O mundo externo é o resultado do nosso carma coletivo. Por isso, a verdadeira ecologia deve começar em nosso corpo e nossa mente. A ecologia interna está automaticamente ligada à ecologia externa. E não pode haver uma sem a outra. Quando despertamos a paz e a compaixão dentro de nós, começamos a influir positivamente no mundo à nossa volta.

 

BF - E como podemos realizar esse tipo especial de ecologia?

LGR - Com práticas espirituais. Por exemplo, quando fazemos a autocura do meio ambiente, baseada na antiga tradição tibetana do kalachakra, purificamos os elementos internos sutis - terra, fogo, água, ar e éter - que nos compõem. Como tudo é ligado e interindependente, purificamos ao mesmo tempo o que está fora de nós, ou o que pensamos que está fora. Devolvemos assim o sagrado à natureza e aos cinco elementos que a constituem.

 

BF - Nessas práticas, a Amazônia parece ter grande importância.

LGR - Sim. Todos os lugares do planeta onde a natureza ainda permanece intocada são importantes. Costumo viajar, junto com pessoas ligadas aos meus centros de estudos, para a Amazônia, a Cordilheira dos Andes ou as montanhas do Himalaia, no Tibete, para realizar cerimônias de purificação do meio ambiente interno e externo. Na Amazônia, com a prática de autocura do meio ambiente, podemos nos reconectar com a energia pura, principalmente do elemento água. É possível amplificar a força energética dos cinco elementos presentes na floresta para o resto do mundo.

 

BF - Existem outros métodos de autocura no budismo tibetano, além da autocura do meio ambiente?

LGR - Sim. As outras práticas de autocura, que se conectam com a energia masculina dos cinco grandes budas curadores, trabalham com as energias sutis e muito sutis do nosso corpo e nossa mente. As cerimônias de autocura tibetanas reduzem nossos pensamentos e ações negativas e aumentam as energias positivas e a luz interna do nosso corpo e nossa mente. A tradição vinda do Tibete é inteiramente voltada para o conhecimento das energias sutis. Compreendemos que os danos no nosso corpo sutil, que acabam provocando desequilíbrios e doenças, precisam ser reparados por métodos e energias de cura igualmente sutis. Nestas práticas, trabalhamos de modo bem preciso.

 

BF - O Ocidente começa a entrar em contato com essas energias sutis através de técnicas de harmonização de ambientes, como o Feng Shui. O senhor acha que está havendo uma nova mudança de mentalidade?

LGR - Sim, e isso é ótimo. Mas seria melhor ainda se conseguíssemos aplicar os princípios do Feng Shui nos relacionamentos humanos: mais harmonia, mais ordem, mais limpeza...(risos) Muitas vezes, mesmo usando essas técnicas, que trabalham com a energia sutil, nos esquecemos de quanto a energia do amor e da compaixão é importante e curativa. Seria muito bom que ela fosse estimulada tanto nos ambientes como nas relações humanas. Precisamos nos conscientizar de que não é só a energia de móveis e objetos que importa. A força amorosa e de compaixão que circula entre eles é o principal.

 

BF - E como trazer esse amor e paz para as nossas vidas?

LGR - Um dia de amor e paz começa com um minuto por dia de amor e paz. Que evolui para um acordar em paz, um dormir em paz, fazer as refeições em paz. A paz é uma flor que desabrocha aos pouquinhos...



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Atividade do Núcleo de meio ambiente da FLGCP no Projeto Arrastão – 25/09/2009

 

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